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Daily Mail da Bailarina #2: Transbordar


Olá, amigos!

Resolvi abandonar de vez meu computador já que ele insiste em não funcionar e escrever meus textos pelo meu celular. Peço desculpa se não saírem com uma digitação tão perfeita.

Os dias que se seguiram têm sido difíceis. Se por um lado vejo que tenho atingido lugares cada vez mais próximos do coração do Porco-espinho, também me sinto cada vez mais magoada por tudo o que ele faz. Muitos de vocês já me disseram que se apaixonaram e devem ter uma ideia do quão ruim é sentir ciúmes de algo que não é seu. Tem sido enlouquecedor. Algumas coisas ainda consigo relevar, mas algumas "amigas" são tão explícitas que me tiram do sério. Gente, não dá pra entender, mas tem mulher que não consegue ver um homem disponível no momento e já querem logo pra si. Se ele fosse meu namorado, eu poderia atacar, matar, fuzilar, mas eu não sou e tenho que aguentar calada a quase tudo que acontece. Alguns dias eu me sinto um lixo, tão abalada emocionalmente, sem autoestima, vivendo em um caos no qual eu não tenho pausa. Porco-espinho está em quase 90% da minha semana: ele estuda no mesmo lugar que eu, trabalha no mesmo lugar que eu, vai na mesma igreja que eu e ainda tem mais ou menos o mesmo círculo de amigos. E quando não estamos juntos, estamos  nos comunicando pela internet, avisando o outro. Somos parceiros em projetos da faculdade! Não me entenda mal, toda essa rotina foi cuidadosamente construída por nós quando as coisas eram mais simples, só que agora, percebo que criei um monstro. Por conta de tudo isso, os problemas com ele me perseguem nas quase 19 horas do meu dia em que estou acordada. Eu não consigo respirar ou pensar com clareza. Preciso de uma pausa, de um ponto de paz. Para ajudar ainda tive duas longas semanas de provas, que me levaram ao estresse e a um nível tão insuportável de cansaço que virou psicológico. Embora eu durma e descanse, nunca passa.

Hoje, eu finalmente pensei que fosse ser aquele dia em que eu poderia deixar tudo ir embora. Organizamos uma pequena viagem na nossa igreja com as crianças, ida ao zoológico. Não ia dar para nós dois irmos, pois tínhamos prova nesse sábado de manhã. Porco-espinho quase me virou do avesso, correndo atrás de professor para fazer prova em outro dia, naquela confusão de vai-não-vai, paga ônibus, compra lanche etc. Lembrando que fora resolver tudo isso eu ainda tinhas as provas. Bom, depois de toda a confusão, acabou que eu ficou confirmado, fizemos a prova na sexta, super em cima da hora, mal estudando, fomos no mercado onde eu escolhi tudo para fazer o lanche perfeito no piquenique que ia rolar com a galera. Na sexta, depois da prova, vim pra casa e arrumei tudo. O trabalho dele foi simplesmente pagar e carregas as bolsas. Cuidei para que tudo fosse perfeito, sério, e olha que eu sou uma dona de casa horrível, mas o que eu sinto por ele impulsiona isso em mim, esse cuidado.

Fomos. Chegando lá, ele mal olhou na minha cara. Simples assim. Ficou o tempo todo rodando tudo com uma loira amiga minha que chamava ele a cada cinco minutos para fazer alguma coisa. No pouco tempo em que ele (finalmente) tentou falar comigo, ela mal me deixou falar duas palavras, chamando ele para fazer outra coisa. Tentei me aproximar algumas vezes, mas eles foram embora, curtir e eu mal reconhecia meu amigo que parecia ter regredido seis anos de vida e de amadurecimento. Meu ciúmes aflorado e a sensação cada vez mais forte de que fui feita de idiota. Quis chorar, como boa manteiga que sou, mas me esforcei tanto que só uma lagriminha longe de todos escapou. Nunca quis tanto ir embora de um lugar, pior dia em anos.

Foi aí que eu comecei a pensar como sentimento pode muitas vezes nos transformar. Eu estava ali, perdida em tanta raiva de pessoas que são legais e que não tinham culpa nenhuma; perdida em mágoa, em tristeza, em autopiedade. Por conta disso perdi um dia que poderia ter sido lindo com a minha família e meus amigos, um dia de diversão. Sei que o Porco-espinho precisa de mim para mostrar a ele  o que é o amor e sei também que eu acredito e amo o amor, mas e quanto a mim? Será que eu estava me amando naquela situação? E como posso amar e demonstrar pelo outro aquilo que não faço por mim? Sabe, o amor tem umas coisas muito ingratas, como a gente querer consolado justamente por quem te magoou. É ser tão vulnerável, a ponto de darmos dia após dia o poder do outro te destruir, e no meu caso, ver ele fazendo isso sem nem ao menos se importar.

Na volta pra casa, eu tentei ficar um pouco melhor, tentei durante todo o dia, mas tiveram coisas pra me abalar. E chegar dentro do ônibus e ver na cabeça daquela loira o boné que eu dei pra ele, que era uma coisa nossa, sabe? Então, não deu. Acho que foi a gota d'água me dizendo que não dá. O mínimo que eu esperava dele nesse dia, mesmo sem corresponder a nenhum sentimento meu e sem me dever nada, era amizade, respeito, como meu melhor amigo que ele era. Poxa, ele sabia que isso ia me machucar, será que não tinha como evitar? O lance é que depois disso eu comecei a perceber que não quero me sentir assim. Eu quero sim o amor na minha vida, mas um amor leve, cheio de paz e de alegria, que me faça feliz. O erro não está nele, entendam, está em mim, que me tornei dependente demais de alguém que sempre deixou bem claro que nada queria. Posso provar ainda muita coisa pra ele como amiga, sem me machucar. E acho que isso tudo só começou porque eu não estava completa quando o encontrei e nem ele. Não precisamos achar alguém que nos complete, mas que nos transborde.

Então, é oficial. Depois de chegar em casa discutimos um pouco, fizemos pirraça como duas crianças, mas depois racionalmente eu expliquei como me senti e como não quero mais isso, não quero esse sentimento, pelo menos não até eu estar sarada e feliz para amar alguém. Decidimos voltar a ser amigos e sabe-se lá se vamos conseguir levar isso a sério porque eu mudo de opinião muito fácil e as nossas vidas já estão tão juntas de alguma maneira que fica complicado separar. Mas eu quero que ele fique livre, para ficar ou para ir, por escolha própria. E eu, vou tratar de me cuidar, de me curar e me refazer para poder seguir em frente, seja com ele ou não.

Mandem seus comentários.
Beijos e mordidinhas =)
Bailarina.

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