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Cartas de uma Princesa III

Olá, escolhido.


Seria bem educado se eu começasse essa carta dizendo como eu estou. Eu estou bem. Alguns dias são piores que outros, mas em geral estou bem. Agora, se você me perguntar especificamente sobre hoje, terei que dizer que não sei. O dia hoje foi sufocante, eu passei a maior parte do tempo inquieta, com muita coisa para fazer e com nenhum tipo de animação. Então, não fiz nada. 

Pensei muito hoje, em todos os caras mais recentes na minha vida e como todos eles são idiotas, nem se comparam a todo o ideal que eu tenho de você. Pensei muito no meu ex, em como eu o amava, como entreguei para ele o meu sentimento mais puro, o que eu tinha de mais profundo, na minha ingenuidade de que seria eternamente amada e correspondida. É, eu tenho essa mania irritante de sempre esperar o melhor das pessoas. É difícil pensar que todas aquelas palavras dele possam ter sido uma mentira. Todos os olhares, promessas de casamento, filhos... A verdade é que mesmo que só tenha se passado um mês que eu cortei mesmo todos os tipos de relações com ele, parece que foi há um século. E eu realmente sinto falta dele, da conexão que nós costumávamos ter, da amizade, de como ele me aguentava e me desafiava. Desde que eu o conheci, ninguém nunca foi para mim como ele era, eu nunca senti nada parecido. E sim, eu me odeio por isso.


Eu me odeio por pensar em como pude acreditar nele. Eu cresci pensando que os homens eram seres que no fundo só queriam o principal de você: sexo. Nunca deveria entregar meu coração a eles. Poderia me aproveitar do que tinha de bom, desde que não me envolvesse. Tudo deveria ser divertido, sem drama, mesmo nas minhas paixões e meios-ataques de ciúmes, nada era plenamente sério. Eu fiz isso, por muito tempo. Até conhecer ele. E, sei lá, eu não sei se havia nele algo de especial, mas as coisas foram acontecendo, o amor foi se instalando. Mesmo que eu olhe para trás e odeie a menina ingênua que eu fui o tempo todo com ele e a forma como ele me enganou, eu sei que aquele sentimento ainda está em mim, de uma forma mais madura e mais magoada, mas ainda está aqui. Ainda amo aquele cafajeste, escolhido. Espero que você possa me perdoar. Se eu voltaria para ele? Não. Pra quê? Para ver tudo acontecer outra vez? Ele está com outra, ele ama outra e se um dia ele voltar a me procurar vai ser apenas para usufruir do que tenho de bom e não para me amar e adorar. E fora tudo isso, existe uma mágoa que não pode ser apagada ou simplesmente esquecida. Ele não apenas me magoou, ele me destruiu.

Vivo minha vida contando os dias que se passam, esperando que tudo isso suma: as memórias, os sentimentos, os planos... Meu maior desejo é que o tempo passe. Também gostaria de ter um trabalho para ocupar minha mente focando no principal e parando de pensar. Meu cérebro é uma máquina destruidora, quanto mais eu penso, mais invento razões para sofrer. Tenho orado para que Deus mude isso em mim, aos poucos está diminuindo e aos poucos também eu vou aprendendo técnicas para evitar esses pensamentos, mas não dá para fugir de tudo. Nossa mente não pode ser cercada e, além do mais, toda essa confusão dentro de mim gera muita energia que é bom que seja expressada. Essa energia motiva minha escrita, melhora meus textos, gera emoção na minha dança, flui dentro de mim como uma musa que inspira a um artista. A emoção está saindo pelos meus poros.

Mas meu ex não é a única coisa que mexe com a minha cabeça. Aos 19 anos, após um ano que saí do Ensino Médio, mudei de escola, perdi meus professores, minhas matérias, meu espaço físico; terminei com meu namorado após 3 anos de namoro, parei de conviver com meus amigos que via todos dias desde a 4ª série, descobri que meu melhor amigo me odeia, percebi que alguns amigos do passado já não dão a mínima por mim, minha irmã mudou de casa e foi morar bem longe de mim. Fiz novos amigos? Sim. Entrei para faculdade e comecei o curso que eu sempre quis? Sim. Conheci um novo espaço? É claro. Mas foi muita mudança. De repente, tudo com o qual eu estava acostumada a ter por anos e anos seguidos, se foi em um estalo. Quando se tem mais alguns anos de vida, se aprende que mudanças radicais acontecem em pequenos espaço de tempo e se acostuma a seguir em frente (pelo menos é isso que dizem os mais velhos), mas para mim foi como perder a minha vida. Eu estava acostumada a ter essa vida desde que eu me entendo por gente e tudo se foi agora. É horrível quando se percebe que tudo o que você costumava ter e viver desapareceu. É desesperador.

Em meio ao caos da minha vida posso te dizer que estou bem, pois tenho um porto seguro: a Igreja. Lógico, lá eu tenho um Deus que põe no colo, me consola e diz que me ama acima de qualquer coisa; eu tenho amigos doidos, divertidos e verdadeiros; e eu tenho dança, onde eu posso me expressar e me libertar. Conto os minutos para cada fim de semana chegar. Sei que para que você seja o meu escolhido você terá que amar esse mundo, ser amigos deles, trabalhar para o Senhor, e é quando me lembro disso é que tenho ânimo para continuar lutando. E te esperando.

Contando cada segundo,
Tua J.

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