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Daily Mail da Bailarina #1: Abraçando o Porco-Espinho

Olá, amigos!
Primeiramente quero agradecer a todas as respostas, fiquei muito feliz lendo cada uma delas. É muito importante para mim esse retorno. Sei que fiquei um pouco sumida, mas é que fins de semanas são um pouco agitados para mim por causa das aulas de dança. Segue meu Daily Mail de sexta-feira.
Hoje foi um típico dia da bad em que fiquei o dia todo na cama em um dia chuvoso pensando em coisas poéticas, como o sofrimento causado pelo amor, e filosóficas, como a origem da vida. Desculpem-me se o texto de hoje for um pouco longo e chato, nesses dias chego a sentir pena de mim mesma, mas hoje foi necessário, precisava de uma pausa para pensar sobre o que estou fazendo da minha vida. Por isso, resolvi ignorar minha mais do que difícil aula de cálculo e também o meu estágio (e única fonte de dinheiro) para me dedicar a essa válida causa que é ficar em depressão. Não tinha chocolate nem sorvete, mas tinha uns doces que resolvi comer sem me importar com as minha estética ou saúde.
O que vocês fariam se tivessem que esperar alguém se amar para depois te amar? O que fariam se tivessem que abraçar um porco-espinho? Quero apresentar para vocês meu querido amigo, Porco-espinho. Ele tem uma história incrivelmente difícil, a mãe morreu, o pai ignorou e ele foi criado pela irmã mais velha. Passou fome algumas vezes, sofreu bullying pelos “amigos” da escola por ser pobre. Nem por isso ele se deixou abater, lutou muito, trabalhou e resolveu estudar para ser alguém um dia, um engenheiro. Foi assim que eu o conheci, na faculdade. Olhando para ele eu nunca diria que tudo isso estava escondido. Sempre brincando com todos, com umas roupas e um cabelo muito doidos, mas no seu estilo próprio. Nunca permitiu que a opinião das outras pessoas interferisse no modo como levava a vida.
A gente se aproximou muito por acaso, em conversas banais no ônibus indo estudar e nos aproximando aos poucos, em cada conversa que se tornava mais séria e ele ia me deixando saber mais sobre ele. Estudamos juntos para as provas quase todos os dias, o que nos aproximou ainda mais e criou uma amizade mais forte. Ele é aquele tipo de amigo que se eu tiver mal larga tudo o que tiver que fazer só para ir onde eu estiver e conversar comigo, que repara nos meus detalhes e compra pequenas coisas, mas com um significado enorme só para me fazer feliz, que me elogia e que quer bater em qualquer mané que me desrespeitar. Ele foi se tornando em pouco tempo o melhor amigo que eu já tive, de um tipo raro que valoriza, e eu fui tentando ser a melhor amiga que podia. Quantas vezes demos a mão um para o outro, compartilhamos segredos, frustrações e desejos. Um é o anjo do outro, um ajuda o outro a melhorar.
Eu nunca imaginaria que iria surgir, sem eu notar, um interesse em mim por ele, uma atração. Era simples, mas eu não queria isso porque ele tinha namorada. Tentei me afastar então, mas como fazer isso se ele sempre vinha atrás de mim? Passou o tempo, e a namorada vadia deu um pé na bunda dele e foi aí que ele sofreu mais ainda. Ela não merecia o sentimento que ele tinha. Se ele já fazia isso tudo por mim que era amiga, imagina tudo o que não fazia por ela. Nessa fase, eu me aproximei ainda mais dele, por já ter tido uma experiência ruim com meu ex, tentei passar todos os conselhos possíveis e apoiar. Ele foi superando e um dia me surpreendeu dizendo que sabia o que eu sentia por ele. Disse que sentia o mesmo, mas tinha medo de ser carência e eu decidi respeitar o tempo dele. Nunca tive a pretensão de ter nada com ele, saber disso foi muito estranho. O problema é que uma coisa foi levando a outra, aquela atração foi virando brincadeiras que acabaram terminando em vários beijos e, enquanto um apoiava o outro nas suas dores, as coisas foram ficando maiores. Mais desejo, mais sentimento, mas também, mais medo. Nenhum de nós dois queria uma coisa séria como um compromisso, era mais uma diversão, mas o problema é que ele é tão bom para mim que eu fui me apaixonando e a paixonite foi virando um amor, o ciúme crescendo e eu desejando que ele fosse meu.
Ele conheceu minha família, meus amigos, acabou indo na minha igreja, sendo sempre apresentado como meu amigo. Aos poucos foi fazendo parte da minha vida, compartilhando planos e sonhos do futuro, tanto que é quase impossível ver a minha vida sem ele. O problema é que por ter perdido muita coisa, sofrido e se apegado a quem não valia a pena e depois ter sido abandonado, Porco-espinho desenvolveu um terrível medo de perda. Ele não quer se prender a ninguém, se apaixonar por ninguém e afasta qualquer possibilidade disso acontecer. Quer se isolar. Foi isso que ele fez quando percebeu que meu sentimento era grande demais, se afastou, disse que não conseguia gostar de mim mesmo eu sendo a melhor pessoa que ele já conheceu. Assim, nós terminamos qualquer coisa que tivéssemos. Sofri muito, mas como boa guerreira resolvi guardar os meus sentimentos e seguir em frente. Ele também estava sofrendo, eu via e sabia, estava perdendo a única coisa que tinha de bom, mas como amar alguém que não quer ser amado? Como abraçar um porco-espinho? Era difícil demais aguentar todas as vezes que ele me tratava mal tentando me afastar. Ele também via todo o sofrimento que eu tentava esconder e por se importar demais comigo, como meu amigo, acabou se aproximando, tentando cuidar de mim, mas sem voltar atrás. E eu, tratei de colocar uma armadura no meu coração e aproveitar para dizer umas boas verdades sobre todos os traumas no psicológico que ele tem, sobre todo mundo ter deixado ele e como isso estava destruindo sua vida. Como sua amiga eu fiz isso, mas quando ele chorou isso acabou me magoando. Sei que fiz certo e sei também que ele precisava ouvir e que só eu seria capaz de fazer isso, mas doeu em mim também a dor dele.
Atualmente, estamos juntos, ficando ainda porque não conseguimos ficar separados. Depois de um tempo ele disse que gostava de mim, muito, que tinha ciúmes também, mas que se odiava por sentir isso, pois não queria sentir. Ele ainda tem dificuldade em lidar e falar sobre seus sentimentos, ainda se mantém um pouco distante e não se sente pronto para namorar, mas eu tento deixá-lo no seu tempo, sozinho e aprendendo a se curar. Dia a dia que não vou abandoná-lo como os outros, mas é uma tarefa difícil. Não sou uma pessoa muito paciente e lidar com essa espera tem sido um desafio para mim. Não posso forçá-lo nem cobrar nem demonstrar coisas demais, não posso me precipitar e devo esperar tudo se encaixar no seu tempo. Em alguns dias sinto os espinhos dele me machucando, mas ao mesmo tempo sei que é o que tenho que fazer.
E hoje, deitada na minha cama, eu pensava sobre isso, com o meu coração ainda doendo por ele estar tão longe mesmo que tão perto. Como as pessoas podem magoar aquelas que mais a amam e quanto tempo é preciso para sarar essa mágoa? Pessoas ruins podem estragar pessoas boas, pegar um sentimento bom e amassar como uma bolinha de papel e jogar fora. Eu não sei o que seria do Porco-espinho se não tivesse me encontrado nem sei quanto tempo vou sobreviver a isso, mas sei que eu não poderia não tentar porque eu tenho a oportunidade de ser uma luz para alguém, de mostrar que pessoas boas e com sentimentos reais existem. Sei lá, eu sei que sou um pouco dramática, mas sei também que levo o amor como uma coisa séria, ele não é um conto imaginário, ele existe, ele cura e magoa, te faz feliz e te destrói e ainda assim é a melhor coisa do mundo. E se eu puder mostrar isso para alguém, eu irei.
Espero que gostem. Sintam-se a vontade para responder e se não quiserem receber mais esses e-mails é só me avisar.
Beijos e mordidinhas =)
Bailarina

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