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A Primeira Carta Dele



ELE: Queria ser inocente assim.

ELA: Não queira.

ELE: Não, eu queria. Talvez assim eu confiasse mais nas pessoas. Fico bolado com sua inocência. Me passa um pouco.

ELA: Tem nada de bom nisso.

ELE: Claro que tem! Por que não teria?

ELA: Porque se é magoado muito facilmente.

ELE: É bom que fica casca grossa. Tem dia que leio as cartas que você escreveu para mim. Sua inocência parece de uma criança de 13 anos, sem maldade alguma.

ELA: E continuo assim, mas guarde, é raridade. Eu não consigo escrever mais.

ELE: Eu guardo, tenho todas. Não consegue, por quê?

ELA: Sei lá, eu não sinto a inspiração que tinha antes.

ELE: Lógico, eu era sua inspiração. Se quiser, faço você escrever uma carta agora.

ELA: Você acha que é assim?

ELE: Por que não seria? Acho que sou a pessoa que mais te conhece e admira. Acha que não sou capaz de te fazer escrever umas simples carta?

ELA: Não sei como você acha que vai fazer isso.

ELE: Quer testar?

ELA: Quero, agora.

ELE: Quer escrever do que? Sobre nós ou outra coisa?

ELA: De nós.

ELE: Lembra como nossa historia começou? Lá na FAA, no dia 21 de abril. Era umas 5h da tarde, eu acho. Você sem me conhecer, eu sendo o mais feio da sala... Cismou de me pegar aquele dia. Me recordo que depois desse dia, nossas conversas, brincadeiras até mesmo os olhares nunca foram os mesmos. Nosso primeiro beijo, atrás da catedral, sexta-feira, dia 28 de abril, debaixo de uma neblina. Até que sua mãe veio te preocurar. Foi o nosso primeiro mico juntos lembra?
Depois desse dia, foi como uma brincadeira de ficar, para nos divertir ou talvez esquecer um pouco a realidade que nos esperava, porque naquele tempo você ficava com alguém e eu com geral, mas mesmo com esse rolo todo, o sabor do seu beijo foi ficando cada vez melhor e eu querendo cada vez mais você, e vice-versa.
Até que chegamos no dia 10 de maio. Lembra o que me pediu nesse dia?

ELA: Cada palavra.

ELE: Em primeiro momento não sabia o que dizer, pedi ao douglas que me aconselha-se, com você sentada ao meu lado, lembra?

ELA: Sim, cara de pau!

ELE: Mas, por ironia do destino ou por sermos opostos nos atrairmos. Resolvi encarar, me recordo que no inicio não foi uma mar de rosas, foi quase um namoro escondido. E quando nos revelamos, nossos próprios amigos resolveram nos separar, talvez por ironia do destino, brincando com nosso amor pela primeira vez. Mas todo casal tem o amigo pilastra... que dá força nas horas difíceis.
Começamos a nos entregar um para o outro. No estacionamento ao lado do serviço do meu pai, foi nosso primeiro esporro e também nosso primeiro momento único, só nosso. Lembro-me também, que você vinha pra minha casa e fazíamos a maior bagunça, parecendo criança. Lembra o dia que joguei farinha de trigo em você ou no dia em que te mostrei a pegada da minha família? E a primeira vez que te joguei na minha cama, era até na sala na época porque minha casa estava em reforma. Lembra?

ELA: Lembro.

ELE: Aí veio dia 1 de setembro. Nossa primeira vez, em que nos amamos de verdade... Usei até nossos micos para você relexar. Do jeito que ríamos nem parecia nossa primeira vez.
Mas nem tudo na vida são flores, minha vó morreu e isso mexeu muito comigo. Terminamos pela primeira vez, pesssoalmente não gosto de lembrar desse dia. Chorei na sua frente, vergonhoso. No total terminamos 3 vezes, ficamos separados 8 meses. Talvez por criancisse minha ou por influência de amigos deixei acontecer. Não, fui fraco. Acho que eu me resumo assim em nossa relação: um fraco que não fez nada e deixou acontecer. Mil perdões.
Está escrevendo?

ELA: Sim, por incrível que pareça.

ELE: Quantas linhas já? Que seja, se eu divesse demostrado mais, me importado mais, lutado mais, não tínhamos chegado onde chegamos. Talvez no caminho eu tenha desistido e deixado você ir por pensar que não ia dar certo. Lembro também que o fato de você ser evangélica e eu não pesou nas minhas costas. Mesmo que eu lutasse em ir pra igreja para te agradar eu não conseguia e te chatiava mais e mais. Esse foi o motivo de várias de nossas brigas e por eu ser meio só comigo mesmo, me afastei de você e deixei você ir... para tentar ser feliz.  Isso é o que eu sempre quis, vê-la feliz comigo ou com outro. Hoje em  dia, vejo nossas fotos, leio nossas cartas, precebi que tinha tudo o que qeria. Tinha amor e a quem amar, uma sogra gente boa de mais, sua familia com quem me enturmei muito bem... E deixei passar por minhas mãos e escorrer pelos dedos você, que mesmo que ninguém acrediasse, sempre me apoiou, me deu força, na alegria e na doença, na morte e na tristeza. Se eu fosse separar nossos mundos diferentes, meu mundo seria o corte da espada, porque só é o mais forte quem é o melhor em tirar vantegem de tudo. Você seria meu perfume da rosa, porque mesmo que eu estivesse em caminhos estranhos, em estradas sombrias, eu podia contar com você, como o amanhecer precisa do sol para nascer.
O que me resta de você são lembranças muito boas que, eu juro, me fazem sorrir seja qual for a hora. Seu sorriso meigo e  inocente que acalmava meu coração, seu beijo sensual e sedutor que me excitava de tal forma que você conhece muito bem, seu abraço reconfortante, onde eu segurava as lágrimas pra não chorar... E usar uma desculpa tão boba como documentação atrasada para vir falar com você, porque a saudade de ouvir sua voz ou imaginá-la falando estava inquietando meus coração. Acho que eu precisa ter falar isso. Foi meio que um desabafo e também a carta que você sempre pediu para eu escrever para você.
Às vezes me pergunto se algum dia vou deixar de te amar. E também se dia irá chegar.
Acho que é só isso... Está bom?

ELA: Está perfeito. Obrigada, eu precisava ouvir isso. Eu... Ainda estou meio muda, eu nunca vi você falar tanto.

ELE: Acho que foi a primeira vez que falei tanto assim.

ELA: É, eu imagino. Foi lindo para uma primeira vez.

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