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Temos todo tempo do mundo...

Me sinto especialmente dramática hoje. A escola acabou e é hora de seguirmos em frente. Sinto-me sozinha, sinto uma dor, uma vontade inexplicável de voltar atrás. Para piorar, basta lembrar da sala de aula, dos anos de convivência com aquele povo maluco e das infintas brincadeiras para alegrar as aulas chatas, cada uma das aulas intermináveis. Naquela sala, eu amei, eu odiei, assim como também fui amada e odiada. Brigamos e rimos porque é isso que os amigos fazem, mas no final, nada importa a não ser aquele grande amor que nos une. 

Eu esperei ansiosamente pelo dia em que me veria livre de toda aquela baboseira da escola, tinha dias em que eu só entrava na escola sob a perspectiva de que era um dia a menos na quantidade de anos que passei ali e que logo o final chegaria. Eu detestei os professores, as provas, os trabalhos, eu detestava algumas pessoas na minhas sala... Eu fui uma aluna completa, eu cumpri tudo aquilo que todo aluno deve fazer, senti todos os sentimentos. Porque estar na escola é isso, é estar sobre pressão constante, é colar às vezes, é ir mal em pelo menos alguma prova. Se irritar e sofrer e amar e crescer, ver que a cada ano, nosso pensamento muda. 

Hoje não pensamos em fazer coisas que fizemos na nossa adolescência e nos culpamos: "Nossa, como eu era burra!" É, mudamos, e hoje nos preparamos para uma faculdade, podendo ser aqui pertinho de casa ou em alguns quilômetros mais distante. No entanto, ainda cometemos os mesmos erros, só que agora eles são um pouco piores e temos que assumir a responsabilidade por eles.

Hoje, as aulas mais irritantes, os rostos mais indesejáveis, são o que mais queremos em nossa vida. Bate agora aquele sentimento de saudade e de medo por essa nova etapa que se inicia. Bate aquela triste constatação de que nunca mais viveremos momentos assim e que talvez devêssemos ter aproveitados mais.

Hoje, a menina que reclamava de ter que acordar cedo, que dizia o tempo todo estar com fome e que contava cada segundo para o fim do horário, chora querendo voltar atrás. Perdão, amigos, pois muitas vezes quando eu tinha um problema, era quando mais eu me isolava. É meu jeito, novamente digo, me perdoem. Só que hoje eu só queria ter mais um dia normal para estudar com vocês.

Sentirei falta de cada amigo, sentirei falta da nossa convivência naquelas longas horas, no intervalo, na interminável fila do refeitório, de cada sorriso, de cada abraço, de cada olhar preocupado e até daqueles que me disseram coisas simples, como: "estudou pra prova?" "Por que? Tem prova hoje?". Saber que esses momentos não voltam e que daqui para frente viveremos coisas nunca vistas por nós é emoção que só sabe que já viveu esse momento. É tudo muito novo, é tudo emocionante demais e talvez seja a primeira vez em que realmente nossas vidas está em nossas mãos. Expectativa, medo, saudades... Tudo cresce dentro de nós num Big Bang interno e que se repete a cada ano, quando um 3º ano se forma. Porque a vida é feita de muitos ciclos, ela é assim e vamos vivendo/descobrindo cada nova etapa. Chegou a nossa vez de viver essa transição, essa mudança, esse rito de passagem para uma vida adulta. 

Por isso, viva, escolha, ame, erre, tente e se não der certo, tente novamente. Porque essa é a nossa vida, essa é a nossa vez e não há ninguém capaz de nos julgar. Grave isso dentro de si, que esse é o seu momento e que a opinião de ninguém importa, pois essa é a sua vida e cabe a você decidir como vivê-la. E se em qualquer momento, se sentirem sozinhos, estranhos, felizes, culpados ou qualquer outra coisa, lembre-se que aqui há uma amiga que sempre amará vocês, que também passa por essas mesmas coisas, que também erra, mas que vai amá-los e que vai (tentar) entendê-los como ninguém.

Obrigada pela linda história que vocês me ajudaram a escrever, por cada um que foi importante ao longo desses 8 anos de eu estudo. Aos meus melhores amigos, de agora e de cada anos, muito obrigada pela amizade de vocês, por terem me feito viver momentos felizes, por terem feito de mim quem eu sou hoje. Quero dizer, que mesmo que eu tenha me afastados de vocês em algum momento (ou até os odiado), não quer dizer que eu não me importe com vocês. Cada um teve a sua importância, em cada época e mesmo com as nossas diferenças, moram no meu coração. Eu sinceramente queria escrever um texto sobre cada um, agradecendo a cada um, mas seria longo demais e eu ia ficar chorando por muito tempo.

Eu amo cada um de vocês. 

Brilhem, pois essa é a hora. 
E nesse momento, nós somos infinitos.

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