Eu estava dançando e meu corpo
inteiro era pura alegria. Meu humor estava renovado e eu me sentia tão bem!
Como há muito tempo não me sentia. Eu estava sendo novamente eu mesma, a
Jeniffer Kelly, enfim completa. Dançar me liberta. Naquele momento não existia
as preocupações com o mundo e com o que estava acontecendo a minha volta, nada
mais importava. E por mais que aqui fora o meu mundo estivesse um caos, quem
reinava naquele momento era a minha essência, aquela parte pura e concentrada
de mim. Eu voltei para casa em êxtase, pouco me importando com as briguinhas
tão comuns da minha família. Foi só
quando eu coloquei o meu pé dentro de casa que a urgência tomou conta de mim.
Eu corri como se a minha vida dependesse daquilo. E na verdade dependia. Liguei
meu computador, com movimentos automáticos e tão conhecidos que puderam ser
feito com o máximo de agilidade possível.
Eu queria você.
Queria encontrar você, falar com
você. Tudo que eu mais ansiava era poder ver sua letrinha vermelha, seu jeito
de escrever, de falar. Tão simples…
Você não estava lá.
E de repente nada mais fazia
sentido, porque pior do que você não estar lá, era que eu não sabia onde você
estava. Claro, que com meus pensamentos simples e às vezes óbvios de mulher o
que me veio à mente era que você estava na rua. É carnaval, que mal há nisso,
não é? Na rua, com seus amigos, curtindo, zoando, com a bebida tão perto de
você que até mesmo eu teria dificuldade em resistir.
Normal. O que há de tão errado
nisso? Você saindo com seus amigos.
Seria normal para qualquer
pessoa, menos para mim. Eu, a única anormal, a pessoa mais contrária a esse
tipo de ideia, a pior pessoa que você poderia escolher para amar. Sei lá, são
tantas possibilidades, lugares onde você possa ter ido, coisas que você possa ter
feito. Brigas, bailes, bebidas, mulheres… Tanta coisa! Será mais uma noite em
que eu ficarei imaginando onde você está.
Sabe, eu não pertenço a esse
mundo, nunca pertenci e nunca vou pertencer. Se eu tivesse a oportunidade de
escolher entre estar onde você está, com você, e ver um filme agarradinho, com
você, eu escolheria o filme. Mas você pertence a ele. Pelo menos uma parte de
você. Eu juro, eu não queria pensar assim, não queria voltar a ser a garota
insegura que sempre fui. Você mudou isso em mim, me tornou forte, capaz,
decidida. Mas às vezes é difícil olhar para mim mesma e olhar para o mundo e
acreditar que eu, a simples garota que viveu sempre numa redoma de vidro, possa
te oferecer mais. Eu não queria pensar assim, mas a minha cabeça girava, com pensamentos
rápidos e loucos. Porém, prováveis. Talvez… Talvez seus amigos tenham razão.
Não deveríamos ficar juntos. Você merece uma pessoa como você, que pertença a
esse mundo. Que possa sair com você e zoar com seus amigos, ou com as amigas
dela. Que seja ousada, forte e decidida naturalmente, que tenha nascido com
isso, ao contrário de mim. Que seja engraçada e linda, como você. Que se
importe menos. Não, eu não quero que você ignore essa sua parte que pertence a
esse mundo. E sim, eu detesto quando você está lá. E eu vou detestar mais ainda
viver sem você. Entretanto, lembra aquele lance de abrir mão da sua felicidade
pela do outro? Eu seria imensamente feliz se você fosse o que eu quero que você
seja. O garoto que está sempre comigo, que vai a igreja comigo, mas me odiaria
por dentro porque eu estaria fazendo você abrir mão de algo que te faz feliz.
Eu nunca faria isso. Você tem seu mundo, seu jeito de pensar e de se divertir,
assim como eu tenho os meus. Mundos opostos. Que se amam. E pelo que eu saiba,
ainda não arranjaram um meio de viajar entre mundos. Talvez esses mundos tenha
que aprender a conviver sem o outro. E amar à distância.
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